quinta-feira, 4 de abril de 2013

O amor nos tempos de Feliciano

Por Pedro Sanchez.

"É como se o pastor Marco Feliciano houvesse aberto sem querer uma insondável caixa de Pandora. Dela passaram a sair monstrengos grotescos, fantasmas e males de todos os tipos – mas também, entre eles seres misteriosos e figuras maravilhosas que ainda não conseguimos compreender muito bem. Desde que o pastor (ex-)declaradamente racista e homofóbico tomou posse como presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados, a caixa aberta não parou mais de cuspir preconceitos, xingamentos, ofensas, segredos, protestos, manifestações, passeatas, beijos...
Depois de tanto alvoroço, eis que a cantora baiana Daniela Mercury foge esplendorosa dos domínios de Pandora. “Malu agora é minha esposa, minha família, minha inspiraçãoo pra cantar”, contou via internet a artista, com a mesma fibra de quem tem força de segurar, do alto do trio elétrico, multidões por horas e horas e horas e dias e dias e dias seguidos. Alguém já disse que cantoras de carnaval têm de soltar a voz como homens, para se impor diante de imensa e intimidadora multidão, e é o que Daniela faz agora, mais uma vez. Ela se referia à jornalista Malu Verçosa, sua atual companheira: “Comuniquei meu casamento com Malu para tratar com a mesma naturalidade que tratei outras relações. É uma postura afirmativa da minha liberdade e uma forma de mostrar minha visão de mundo”.

Daniela não se utilizou de intermediários midiáticos para falar de sua vida real. O Instagram lhe serviu de palanque e diferencia este momento, por exemplo, daquele, controverso, em que a também cantora Ana Carolina se disse bissexual à revista Veja e atraiu para si a irritação tanto de heterossexuais quanto de homossexuais. Vejamos bem, Daniela não veio a público declarar “eu sou homossexual”, “eu sou bissexual” ou “eu sou heterossexual”. Ela disse, apenas e simplesmente, que está casada com Malu (as leis atuais, por incrível que possa parecer, permitem e as protegem). Você não tem que gostar ou desgostar (a menos que queira invadir a vida delas). Você só em que aceitar.
Daniela já foi casada com homem. Hoje está casada com mulher. Tem cinco filhos, três deles adotados. É embaixadora brasileira da Unicef, o Fundo das Nações Unidas para a Infância. Ao sair da caixa de Pandora com nada mais nada menos que a verdade, se colocou diante de cada um de nós, mas também, mais especificamente, diante de cada um de seus filhos e de cada uma das crianças abrigadas sob o guarda-chuva da Unicef. Ela sabe a responsabilidade que tem, e não nos venham subprodutos obscurantistas da caixa de Pandora fazer confusão entre homossexualidade e pedofilia (existem pedófilos homossexuais, bissexuais, heterossexuais etc.; alguns padres e treinadores de futebol, por exemplo, abusam de meninos por razões que só eles conhecem, mas também porque meninas não estão à disposição).
“Numa época em que temos um Feliciano desrespeitando os direitos humanos, grito o meu amor aos sete ventos. Quem sabe haja ainda alguma lucidez no Congresso brasileiro”, cravou Daniela, perfeitamente ciente do alvo em que mira. O jornal Correio Braziliense captou no ar o que está acontecendo: saiu do armário junto com ela (infelizmente, apenas pelo lado feminino) e fez poesia hiper-realista em página inteira: “O amor nos tempos de Feliciano”. A disputa que se trava aqui é entre quem tem a defesa dos direitos humanos (quaisquer) como nosso bem mais precioso e entre quem se acostumou, voluntária ou involuntariamente, a pisoteá-los. Ouvi quem comparasse a preocupação com os direitos humanos à “criação de lesmas albinas na Polinésia” – me soa um jeito enviesado e envergonhado de se declarar reacionário.
Uma vez ouvi de um ator global que conheço meio por coincidência que “80% da Globo é gay” – imagino que estivesse falando em termos gerais, sobre funcionários que são atores, jornalistas, faxineiras, músicos, camareiras, maquiadores, executivos etc. Discutir se eles podem ou não ser gays ou héteros ou bis é, com o perdão do trocadilho infame, debater o sexo dos anjos. Eles são o que são, queira você ou não. O xis da questão não é esse: se 80% da Globo (da MPB também?) é gay e nas páginas da revista Caras só vemos casais globais heterossexuais exibindo suas casas e suas felicidades, alguém está enganando alguém nesta história.
Nasci no interior do Paraná. Diferentemente de Daniela, tenho sido gay desde que me conheço por gente. Até meus 20 e poucos anos, pensava que os únicos gays que existiam no mundo éramos eu, Clodovil e Clóvis Bornay. Eu não me sentia nada bem com essa constatação. Sou do tempo em que Vange Leonel cantava “Noite Preta” (1991) na abertura da novela Vamp. Só depois de algum tempo fui concatenar que ela formava um casal com a jornalista (e sua parceira musical) Cilmara Bedaque. Hoje tenho orgulho de ser amigo das duas, por intermédio de conexões que passam pela Folha de São Paulo e pela gravadora Sony, pelo jornalismo e pela MPB. Antes de ser jornalista em São Paulo, eu intuía vagamente uns romances “proibidos” entre cantoras e atrizes, ou entre compositorees e diretores de TV. Mas eles nunca falaram abertamente sobre isso (ou, sei lá, os jornais e revistas não publicavam o que eles falavam). Como repórter, sempre fiquei sem jeito e sem ação para perguntar sobre a sexualidade de algum entrevistado.
O que estou tentando dizer, emocionado e meio confuso, é que a novidade de Daniela Mercury é o que de mais lindo saiu até agora da caixa de Pandora de Marco Feliciano. Ontem foi emocionante ver o Jornal Nacional (que não costuma ser gentil com todo mundo) tratar respeitosamente a simples declaração da intérprete de “Swing da Cor”, “Menino do Pelô” (1991), “O Canto da Cidade” (1992), “Vulcão da Liberdade” (1994), “Crença e Fé” (2000) etc. etc. etc. Talvez você já tenha dançado, sido feliz e/ou se irritado ao som da voz dela – nada disso faz diferença, você e ela e eu somos o que somos.
O poder excepcional que a caixa de Pandora está expulsando desta vez é o de, além de tudo, nos colocar de frente com nossas próprias hipocrisias e incoerências. Não gosta de gays, mas ama rock ou MPB e vê Globo e Hollywood o dia inteiro? Estamos de olho em você.
Moram hipocrisias, inclusive, dentro do heterogêneo mundo LGBT, seja quando seus representantes igualam todos os evangélicos (ou religiosos quaisquer) como seus demônios particulares, seja quando vociferam contra absurdos felicianos bem guadados e escondidos dentro de casa. Calar-se sobre Feliciano é autoagressão das mais duras (comparável às que o pastor comete contra si mesmo). Vociferar “fora, Feliciano!” escondido de familiares, amigos, colegas de trabalho, patrões (e fãs) pode parecer fácil ou confortável (não é). Fazer como fez Daniela Mercury mata mais preconceitos que 100 milhões de gritos de “fora, Feliciano!” partidos de dentro do armário."

FRASE DO DIA: MAIS FELICIDADE. MENOS FELICIANO. Aline Rosa

segunda-feira, 1 de abril de 2013

Contestar. Questionar. É viver.

Nem o sol, nem o mar, nem o brilho das estrelas é capaz de apagar a agonia de uma dor. O desespero da vida é descobrir que planejar e sonhar são coisas distintas, às vezes distantes, que geralmente não se encontram facilmente para caminhar lado a lado. São dedos que não se entrelaçam só pelo querer, pois buscam razões opostas. São parceiros de alma que se mostram imcompreendidos e que machucam quem tenta incansavelmente entender o que não pode ser entendido. Dentro do coração não existem respostas pra tudo, pois essas não podem morar num espaço que não aceita perguntas demais. Pobre daquele que acha que pode dominar sentimentos e tristezas como se elas fossem uma equação matemática onde horas numa cadeira e um chiclete bem mascado são capazes de resolver. Pobre de você que lê e acha que compreende. Pobre de mim que escreve e acha que consegue explicar.

FRASE DO DIA: NÃO SE PREOCUPE EM ENTENDER. VIVER ULTRAPASSA QUALQUER ENTENDIMENTO.

Rio. Rio. Me leva daqui?

quarta-feira, 6 de março de 2013

Você deixou saudade



 Foi embora como a última música que me marcou. Se perdeu em vida, se achou com sede de vontade de aproveitar até a última gota do poder sem fim, nunca mais poder nada. Criatividade iniguálavel. Som que toca. Que conta história. Que identifica incomparações, que registra momentos, que se fez especial e se fará sempre. Assim como suas letras, tantas vezes tristes ou revoltadas. De uma mente confusa, misteriosa, ou aberta demais, impaciente...Só os loucos sabem. Seu nome, hj um tema, de tantos, em lágrimas. Sem palavras. Um luto imenso. De um ídolo, como poucos. .

#LutoChorão.


segunda-feira, 4 de março de 2013

O tempo, faz falta.

A falta de tempo faz a falta de tantas coisas parecer pequena. A cabeça ocupada permanece distante o que as vezes é inoportuno, ocasional. Por maior vontade que exista, a cabeça fica congestionada pra tantos pensamentos, funções, obrigações. De repente vc respira menos, sorri menos, aproveita menos, os detalhes antes tão óbvios e fáceis de notar. Bom simplesmente não querer como isso aconteça. Ao mesmo tempo que as diferenças e conflitos diminuem, o oposto passa a acontecer também. Pouca atenção, é igual a pouco sucesso. Em tudo. Em todos.

FRASE DO DIA: Opostos. Completos.

Enquanto acordo cedo, levanta tarde
Se chego do trabalho, tá arrumado pra sair

Sou tipo estourado, você é calmo
Sou séria o tempo inteiro, você só sabe sorrir

Bagunceiro, e eu organizada
É baladeiro, e eu sou de casa
Sou seu oposto, meu contrario é você
O jeito avesso faz a gente parecer

Opostos, Completos
Arruma o meu jeito que eu te conserto
Opostos, Completos
Somos tão diferentes, por isso dá certo
Opostos, Completos
Arruma o meu jeito que eu te conserto
Opostos, Completos
Somos tão diferentes, por isso dá certo

Enquanto anda a pé, eu ando de carro
É geração saúde, e eu mal sei cuidar de mim

Adoro cozinhar, e ver você fingir
Que gosta do que faço, só pra me fazer feliz

Bagunceiro, e eu organizada
É baladeiro, e eu sou de casa
Sou seu oposto, meu contrario é você
O jeito avesso faz a gente parecer


terça-feira, 29 de janeiro de 2013

A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS

Tentei por algum tempo, externar os últimos acontecimentos através de palavras. Mas não tive a capacidade de alcançar tamanha dor. Fizeram por mim. Achei por bem, compartilhar. Essa tristeza. Esse sentimento. Não só desses jovens que se perderam na negligência e na ganância do nosso mundo capitalista. Mas dos pais, parentes, e amigos. De todos nós. Brasileiros.



A MAIOR TRAGÉDIA DE NOSSAS VIDAS
"Morri em Santa Maria hoje. Quem não morreu? Morri na Rua dos Andradas, 1925. Numa ladeira encrespada de fumaça.

A fumaça nunca foi tão negra no Rio Grande do Sul. Nunca uma nuvem foi tão nefasta.

Nem as tempestades mais mórbidas e elétricas desejam sua companhia. Seguirá sozinha, avulsa, página arrancada de um mapa.

A fumaça corrompeu o céu para sempre. O azul é cinza, anoitecemos em 27 de janeiro de 2013.

As chamas se acalmaram às 5h30, mas a morte nunca mais será controlada.

Morri porque tenho uma filha adolescente que demora a voltar para casa.

Morri porque já entrei em uma boate pensando como sairia dali em caso de incêndio.

Morri porque prefiro ficar perto do palco para ouvir melhor a banda.

Morri porque já confundi a porta de banheiro com a de emergência.

Morri porque jamais o fogo pede desculpas quando passa.

Morri porque já fui de algum jeito todos que morreram.

Morri sufocado de excesso de morte; como acordar de novo?

O prédio não aterrissou da manhã, como um avião desgovernado na pista.

A saída era uma só e o medo vinha de todos os lados.

Os adolescentes não vão acordar na hora do almoço. Não vão se lembrar de nada. Ou entender como se distanciaram de repente do futuro.

Mais de duzentos e cinquenta jovens sem o último beijo da mãe, do pai, dos irmãos.

Os telefones ainda tocam no peito das vítimas estendidas no Ginásio Municipal.

As famílias ainda procuram suas crianças. As crianças universitárias estão eternamente no silencioso.

Ninguém tem coragem de atender e avisar o que aconteceu.

As palavras perderam o sentido."


Fabrício Carpinejar.

#LUTO


segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Antes que a mudança chegue


Há muito não passeio. É que enquanto a mudança não chega me adequo ao que já existo. Muita informação pra pouca praticidade de entendimento. Muita esperança pra pouco espaço. Um luta diária, de fincar com força os pés no chão e as mãos no céu. Me esticando ao máximo, pra atingir a distância que mora nesses dois lugares próximos tão distantes. Não basta só observar pra aprender. Tem que dar tapa, e se estapear um pouco. Acreditar no que todo mundo duvida. Importante dividir, pra crescer. Entre reservas de saber, construir um pilar firme de eu. De meu. De nosso. Assim sou, estou. E pretendo ficar.

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
E que me deixa louca quando me beija a boca
A minha pele toda fica arrepiada
E me beija com calma e fundo
Até minh'alma se sentir beijada

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que rouba os meus sentidos, viola os meus ouvidos
Com tantos segredos lindos e indecentes
Depois brinca comigo, ri do meu umbigo
E me crava os dentes

Eu sou sua menina, viu?
Meu corpo é testemunha do bem que me faz

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
Que me deixa maluca, quando me roça a nuca
E quase me machuca com a barba mal feita
E de pousar as coxas entre as minhas coxas
Quando ele se deita

O meu amor tem um jeito manso que é só seu
De me fazer rodeios, de me beijar os seios
Me beijar o ventre e me deixar em brasa
Desfruta do meu corpo como se o meu corpo
Fosse a sua casa

Eu sou sua menina, viu?
Meu corpo é testemunha do bem que me faz

FRASE DO DIA: Inteligência é a capacidade de se adaptar à mudança.
Stephen Hawking

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Meu sono em catacrese

O cheiro do café quente acordou meus ouvidos, despertaram voando em asas de beija flor a ventos de velocidade passeantes sobre a sombrancelha enrugada. Preocupada. Sabor da questão molhada em salivas de palavras doces que ardem o gosto de suor queimado em vão. Na sabedoria das asas do meu beija flor abro os braços pro sono dessa noite, que chega como nó de gravata apertada esmagando incertas horas que se passam sem cheiro e sem dó.

FRASE DO DIA: HOJE EU SÓ QUERO QUE O DIA TERMINE BEM

d-.-b vozes da própria consciência errante.



Relacionamentos

Sempre acho que namoro, casamento, romance, tem começo, meio e fim. Como tudo na vida.

Detesto quando escuto aquela conversa:
- Ah, terminei o namoro...
- Nossa, estavam juntos há tanto tempo...
- Cinco anos.... que pena... acabou...
- é... não deu certo...

Claro que deu! Deu certo durante cinco anos, só que acabou. E o bom da vida, é que você pode ter vários amores.

Não acredito em pessoas que se complementam. Acredito em pessoas que se somam.
Às vezes você não consegue nem dar cem por cento de você para você mesmo, como cobrar cem por cento do outro?
E não temos essa coisa completa.

Às vezes ela é fiel, mas é devagar na cama.
Às vezes ele é carinhoso, mas não é fiel.
Às vezes ele é atencioso, mas não é trabalhador.
Às vezes ela é muito bonita, mas não é sensível.
Tudo junto, não vamos encontrar.

Perceba qual o aspecto mais importante para você e invista nele.
Pele é um bicho traiçoeiro. Quando você tem pele com alguém, pode ser o papai com mamãe mais básico que é uma delícia.

E às vezes você tem aquele sexo acrobata, mas que não te impressiona...
Acho que o beijo é importante... e se o beijo bate... se joga... se não bate... mais um Martini, por favor... e vá dar uma volta.

Se ele ou ela não te quer mais, não force a barra. O outro tem o direito de não te querer.

Não brigue, não ligue, não dê pití. Se a pessoa tá com dúvidas, problema dela, cabe a você esperar... ou não.

Existe gente que precisa da ausência para querer a presença.
O ser humano não é absoluto.

Ele titubeia, tem dúvidas e medos, mas se a pessoa REALMENTE gostar, ela volta. Nada de drama.
Que graça tem alguém do seu lado sob pressão?

O legal é alguém que está com você, só por você. E vice-versa. Não fique com alguém por pena. Ou por medo da solidão. Nascemos sós. Morremos sós.

Nosso pensamento é nosso, não é compartilhado. E quando você acorda, a primeira impressão é sempre sua, seu olhar, seu pensamento.

Tem gente que pula de um romance para o outro. Que medo é este de se ver só, na sua própria companhia?

Gostar dói. Muitas vezes você vai sentir raiva, ciúmes, ódio, frustração... Faz parte. Você convive com outro ser, um outro mundo, um outro universo.

E nem sempre as coisas são como você gostaria que fosse... A pior coisa é gente que tem medo de se envolver.

Se alguém vier com este papo, corra, afinal você não é terapeuta. Se não quer se envolver, namore uma planta. É mais previsível.

Na vida e no amor, não temos garantias.
Nem toda pessoa que te convida para sair é para casar. Nem todo beijo é para romancear.
E nem todo sexo bom é para descartar... ou se apaixonar... ou se culpar...

Enfim...quem disse que ser adulto é fácil ???? - Arnaldo Jabour

Não é a primeira vez que vou a esse texto nem que esse texto vem a mim. Razão de existir, ele tem.